19 de janeiro de 2015

Devíamos ter esperado mais. Devias ter-me ouvido quando te disse que o nosso tempo não era aquele. Devia ter-te dito que te queria, mas não naquele instante. Sei que voltámos a entrar na mesma espiral onde já nos encontrámos tantas vezes. Onde já nos perdemos ainda mais. Onde eu sou dúvidas e tu és certezas. Voltaste a trazer-me contigo, apegada ao teu coração, para um labirinto cujo final eu já conheço. Ainda assim deixo que sejas tu a guiar-me, porque sabes que para mim o caminho sempre foi melhor quando eram os teus braços que me puxavam. É uma violência para mim, eu sei. O caminho não vai ser longo, eu sei. Vais morrer nas palavras, eu sei. Mas ainda oiço a tua voz perto dos meus ouvidos a pedir-me para ficar. E eu por enquanto, fico. 
Preciso que me ensines como estar com pessoas sem me apegar a elas. Sei que és mestre, e eu quero ser a tua aprendiz. 

16 de janeiro de 2015

Bastou-me apenas uma manhã para me perder de amores por ti, e será preciso mais que uma vida para te esquecer.
Dizes que vais esperar por mim e eu sorrio. E eu conheço-te, sei que não dizes as coisas da boca para fora, por isso se dizes que esperas por mim, é porque esperas. Como esperaste sempre, que eu sei. Secretamente sempre tivemos à espera que batêssemos à porta da vida um do outro. Imaginei-te tantas vezes antes de te conhecer, que quando te vi sabia que eras tu. Já nos pertencíamos um ao outro antes das nossas mãos se enlaçarem pela primeira vez. Já sabíamos que éramos amor sem nunca termos chamado um pelo outro. Não é bonito isto? Saber que já éramos um do outro quando na prática ainda pertencíamos a outras pessoas?
"Sabes que te quero embora seja às vezes. Tento ser sincero só que tu não me entendes. Fica, que eu não digo a ninguém."
Sei que "não vales nada" para tanta gente, mas se tu soubesses o quanto vales para mim serias mais feliz.
Sei que não fomos feitos para durar, mas e dai? Gosto da tranquilidade que arrastas quando soletras um "fica comigo". Mesmo que saibamos que não é para sempre, gosto que queiras que fique contigo. 

14 de janeiro de 2015

MST

"Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da beleza e da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil. Acredito, pelo que aprendi experimentando, que viver é largar e seguir em frente. Mesmo que em frente esteja apenas o incerto, o desconhecido, o não vivido. Aprendi também que vivemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais vê. Vamos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo."

13 de janeiro de 2015

Não sabia que a tua ida iria significar o regresso das minhas palavras. Se calhar fiz mal em guarda-las só para mim enquanto eram os teus olhos de amor que me aqueciam os dias. Mas eu não podia. Não podia continuar a enganar o coração, como quem engana uma criança de cinco anos quando lhe diz que o pai natal ainda existe. Não podia continuar a chamar-te amor, apesar de ser isso a que me sabe o teu nome. Sabes quando tens a oportunidade da tua vida na mão e mesmo assim algo superior te diz que deves deixa-la ir? Mesmo sabendo que não se larga a oportunidade de uma vida, eu deixei-a ir. Deixei-te ir, sem saber que em sonhos esperas por mim. Desculpa-me se te depositei tanto em ti que agora não sabes como desprogramar-te de mim. Desculpa-me por agora congelar o nosso amor numa mera fotografia, onde os nossos olhos não se fecham e o coração não se quebra. No fundo sei que não precisamos de ser eternos no tempo, para seres eterno dentro de mim. 

18 de outubro de 2014

"aconteça o que acontecer"

Disseste que ias ficar e eu acreditei. Disseste que ias estar cá, mesmo quando não houvesse sol e fosse a chuva a tomar conta dos dias, e eu acreditei. Disseste que sorririas sempre que os meus olhos te mostrassem lágrimas, e eu acreditei. Disseste que me darias sempre a mão, mesmo que eu quisesse ir por caminhos sombrios e desconhecidos, e eu acreditei. Disseste que "aconteça o que acontecer" tu ias estar sempre cá, a sorrir-me, a dar-me a mão e a ir atrás do amor, e eu acreditei. As pessoas têm este hábito de usar a expressão "aconteça o que acontecer" mas não percebem como ela consegue ser tão destrutiva, e principalmente, como nós conseguimos ser destruídos por ela. Porque as pessoas vão embora, e é isto o que nos a ecoar na cabeça. Uma frase que já não faz sentido, porque quem a disse calou a sua voz. Tenho visto e vivido tantas destas histórias de "aconteça o que acontecer" que chego à conclusão que as pessoas não sabem o que dizem. Ou se sabem, não querem mais saber do que disseram nos momentos seguintes. Parece que dizem certas coisas para ficar bem no momento, na ocasião, e depois esquecem-se das palavras como estas se pudessem apagar com uma simples borracha da vida. Afinal de contas fica sempre bem dizer tal coisa, dá um certo aconchego à pessoa que confortam, iludindo-a de que ficam mesmo, aconteça o que acontecer. Mas a verdade é que acontece muita coisa, tudo o que engloba essa tal expressão e as pessoas abandonam o sítio onde prometeram permanecer. Não têm suporte suficiente para conseguir aguentar as adversidades da vida e fogem como se fosse a própria vida a mata-los. É triste já não se ficar por amor - salvo raras excepções que ainda conheço e pintam a minha visão do amor como algo cor-de-rosa, capaz de aconchegar os corações como se fosse um chocolate quente nos frios dias de Inverno. Ainda há quem consiga ficar por mais que tenha motivos para ir. Ainda há quem esteja por ai a sorrir, por mais motivos que tenha para chorar. Ainda há quem dê a mão por mais razões que tenha para a largar. Ainda há quem siga o mesmo caminho que prometeu desde o início e não o abandone a meio. São estas as pessoas que dão vontade de escrever e ler. São estas as histórias de amor que dá vontade de conhecer sempre um pouco mais. Talvez sejam estas as histórias que nos contem o segredo que os fazem permanecer "aconteça o que acontecer". Há muito tempo que essa razão deixou de ser o amor.

1 de setembro de 2014

beginnings

Para muitos este novo mês de Setembro é sinônimo de recomeços, de novos caminhos, novas paixões, novos ares ou até novas casas. E eu temo não ser a excepção. Abri um caminho e estou pronta para o seguir sem medos ou receios. Daqueles caminhos que apenas se abrem no coração, sabem? Quero também estar mais presente aqui no meu cantinho, contar as minhas histórias e ouvir as vossas e com tempo, ter tempo de comenta-las como sempre gostei de fazer. Tenho pena que tantas pessoas se tenham afastado deste mundo, ou por falta de tempo ou por vontade própria. Tenho saudades de chegar aqui ao final da noite e ter inúmeras das vossas histórias para ler e reler. Histórias de amor, daquelas que aconchegam os corações por mais frios que estes possam estar. E sempre foi isso o que mais gostei por aqui; apesar de não conhecer quem está atrás das palavras, é inevitável não sentir um carinho imenso por quem estamos habituados a ler anos após anos. É por isso que penso estar de volta, para vos contar de que é feito este meu novo caminho - que não é nada mais que um passo atrás - mas desta vez daqueles passos que se dão sem um peso imenso de querer voltar atrás. Quero contar-vos o que é feito da claire que sempre esteve habituada a voar três metros acima do céu e de repente pareceu estar tão perdida. Agora estou aqui e quero que este cantinho de palavras esteja mais vivo do que nunca porque é tal e qual como eu me sinto. Apaixonei-me. De novo.


12 de julho de 2014

cada lugar meu

Sempre disse e sempre escrevi que gostava de chamar as palavras enquanto ouvia Mafalda Veiga. Posto isto, não me lembro sequer do primeiro dia em que comecei a escrever, mas recordo-me sim que a ouvia. Há hábitos que não se esquecem, hábitos esses que se entranham em nós de tal forma que por mais que queiramos, não os conseguimos deixar para trás. Da mesma forma que as pessoas se habituam a beber um café depois das refeições, ou a fumar um cigarro logo quando acordam, eu tenho o hábito de escrever enquanto oiço a voz da Mafalda Veiga. Não me perguntem porquê, há muito que também eu deixei de o questionar. Deixei que acontecesse e também não me parece que seja agora - já perdi a conta dos anos que passaram - que vou ser capaz de evitar tal coisa. Sei que numa das suas músicas, talvez das mais especiais para tanta gente como para mim, ela canta enquanto fala em amor. Não são precisas muitas palavras para se definir o que acontece quando estamos realmente apaixonados: damos o que temos de melhor, e guardamos tudo - não só o melhor mas também o pior - que a outra pessoa nos dá. E imploramos-lhe, palavras essas que muitas vezes não são ouvidas, ou se calhar até são, mas entram a cem e saem a duzentos como se costuma dizer nos ditados populares, que faça o mesmo para connosco. Que nos guarde e nos dê tudo o que de melhor eles são. Desculpa-me. Não te queria escrever hoje, não hoje que nem sequer me lembrei de ti. Mas Mafalda Veiga és tu. As minhas palavras já foram o teu nome. A minha vontade de te escrever era semelhante à minha vontade de te amar. E foram tempos, temos esses em que soletrava o teu nome de trás para a frente e de frente para trás, sabendo eu que o fazia de olhos mais que fechados. Foram precisos quatro anos para os abrir e perceber que quando me dizias que os nossos caminhos se iriam voltar a juntar, anos mais tarde, tinhas razão. Mas nós só temos razão, quando queremos ter razão e eu sempre soube que entre nós, sempre quiseste mais que eu tê-la. Agora sei que quando os caminhos se separam, foram feitos para mais tarde se voltarem a juntar, que quando pensamos que já não existe mais nada é quando afinal ainda existe tudo. Felizmente em nós já não existe nada, apenas sorrisos de lembranças de horas bem passadas a contemplar o mar e uma mão de promessas que ficaram por concretizar. Mas tu és Mafalda Veiga para mim, nunca te disse. Mas também já é tarde, não é?Não preciso que me respondas, porque conhecendo-te como conheço (ou conhecia) saberia que a tua resposta seria um breve: nunca é tarde. Sempre gostaste de brincar às palavras feitas, e a verdade, é que tinhas jeito para o fazer. Esgotei de tal forma as palavras e os gestos que já nem palavras tenho para te responder a uma simples mensagem para irmos beber um café ou passear como costumávamos fazer. Não me leves a mal, mas sabes que sempre fui assim mesmo quando me dizias que me tinhas mudado e feito acreditar naquilo que ambos sabíamos que era amor. Anos passaram e confesso-te que já são raras as vezes que me lembro de ti. Raras ainda mais as vezes que tenho saudades tuas. Sei que provavelmente não irias acreditar em tais palavras, mas não sabes como é bom ser eu a acreditar nelas. Não sabes como é bom termos a certeza que nos desprendemos de algo, que em tempos achámos não ser capazes de viver sem.

9 de julho de 2014

Escrevo-te agora como se baixinho falasse ao teu ouvido antes de adormeceres: quero-te comigo. Bastava-me que ouvisses apenas estas duas únicas palavras neste dia antes de fechares os olhos. Quero-te comigo. Seria o suficiente para te deixar a sorrir até que o novo dia aparecesse pela tua janela, e o sol brindasse com um novo dia repleto de bocadinhos nossos. É disso que estes dias têm sido repletos. E é por isso, que te quero dizer tantas vezes - não tantas como as que idealizo no meu pensamento - que te quero sempre comigo. Não apenas esta noite, nem a de amanhã, mas por muitas noites. Não interessa o número ao certo, desde que sejam muitas, por nós está bem assim, não é? E oh, quero tanto.

29 de junho de 2014

Onde se esconde o que não queremos encontrar tão cedo mas também não desejamos perder para sempre?

IIII

Provavelmente sei que será dificil perdoares-me pelas palavras que te irei dirigir daqui para a frente. Desculpa-me. Desculpa-me se deixei de acreditar naquilo que sempre sonhei ter para mim. Desculpa-me se fui fraca e deixei que algo maior se apoderasse de mim, sabendo eu que não teria nunca forças para o largar. Desculpa-me se te afastei, impedindo-te de me protegeres até ao fim, tal como sempre prometeste. Desculpa-me se me faltaram as palavras, ou se te brindei com o excesso delas. Desculpa-me se não soube recolher as melhores, aquelas que mais merecias. Desculpa-me se fui o teu maior sonho e ao mesmo tempo a tua maior desilusão. Desculpa-me por não estar agora, neste dia que sei que é tão especial para ti, à porta de tua casa a dizer-te tudo isto - tal como tu fizeste tantas vezes. Desculpa-me se deixei de procurar o encaixe que sempre demos às nossas palavras. Desculpa-me pelas palavras não ditas, pelas ações não refletidas, mas sobretudo desculpa-me pelas promessas quebradas. Mas guardo-te sempre comigo, mesmo que os nossos mundos estejam de costas viradas, lembras-te?

1 de junho de 2014

maria inês, de volta

Eu jurei que não voltava a cair, maria inês. Jurei que os meus sentimentos não seriam mais um brinquedo em mãos de pessoas que não sabem sequer o que é brincar. Jurei, maria inês. Mas eu cai, voltei a cair no mesmo abismo. Deixei que as as palavras ultrapassassem o valor das ações, deixei que o calor do momento passasse à frente do que sempre quis para a eternidade. E aos poucos fui caindo, sem me aperceber no que caia. Deixei que alguém me cegasse os olhos e o coração com palavras soletradas de meia em meia hora, quando eu julgava que se pudessem eternizar. E eu disse tantas vezes "não pode ser", "não quero", "não vai acontecer" mas a verdade é que pode mesmo ser, pude mesmo querer e acabou mesmo por acontecer. E como, maria inês? Como é que eu deixei que me guiassem até aqui? Como é que eu confiei as minhas mãos a alguém que só soube agarra-las por breves instantes? Como é que eu mostrei aquilo que eu mais escondo de todos a alguém que nunca se revelou por completo? Como é que fechei tanto os olhos ao ponto de achar que sabia voar em céus desconhecidos? Como, maria inês? E agora aqui estou eu de novo, sem saber como e para quem. Devias ter-me fechado o coração. Devias ter-me calado a boca para que eu não pudesse soletrar as palavras. Devias ter-me tocado no raciocínio, para que eu não pudesse sequer criar esperanças daquilo que nunca tive. Devias, maria inês. Porque eu estou aqui agora, com as lágrimas secas e com o coração nas mãos a escrever-te. Perdi-me de mim. Perdi-me no meio de tantos falsos caminhos que me conseguiram mostrar. Encontras-me, maria inês?

24 de maio de 2014

há sempre mais

Quando achamos que já aprendemos tudo, que já ninguém nos consegue magoar porque já aprendemos aquela "lição" a vida encarrega-se de nos mostrar que afinal ainda não sabemos tudo, que ainda há algo que está para vir. Quando achamos que não haverá dor maior do que aquela que estamos a sentir naquele preciso momento, alguém tem o prazer de nos mostrar que afinal a dor é muito mais do que aquilo que sempre pensamos ser. Quando achamos que não somos capazes de voltar a cometer o mesmo erro, aquele que nos causou tantas lágrimas ao nosso coração, há sempre alguém que nos mostra que afinal há sempre mais uma queda para a tentação. E afinal é sempre isto: nunca podemos achar que sabemos tudo, que nunca cairemos no mesmo erro, ou que não vamos fazer aquilo que tanto criticamos nos outros. A vida tem um jeito estranho de nos mostrar que estamos errados e pregar-nos uma estalada de palma cheia na nossa cara. Afinal há sempre algo que está por vir.....mesmo quando achamos que já estamos tão mal que nada poderá abalar-nos mais. E custa, custa tanto. 


18 de maio de 2014

Sei que seremos sempre um do outro, mesmo que o tempo nos leve para os braços de outras pessoas.

4 de maio de 2014

Sabem quando vos mentem uma vez, e vocês só se conseguem questionar sobre em que mais pode a pessoa ter mentido? O pior é descobrirem ainda, que a tal pessoa, conseguiu mentir em tudo. 
Foste uma lição. 

new

Somos aqueles instantes perdidos que nunca ninguém pensou que se pudessem juntar. Somos os minutos perdidos no tempo, que se eternizam em horas. Somos os nós, que nunca ninguém pensou que se pudessem tornar em laços. Somos aquilo que nunca sonhamos que pudesse existir em nós. Somos os risos que aconchegam o coração, as lágrimas que nunca chegam a pesar no rosto. Somos as palavras que deixam o coração a sorrir e as despedidas que imploram sempre por mais um abraço. Somos tudo aquilo que eu não sei se existe, aquilo que nem eu tenho palavras para poder descobrir, porque ainda não foi descoberto. Mas temos sido tudo isto e muito mais e eu estou aqui, no mesmo sítio onde nos despedimos da última vez, para descobrir aquilo em que nos estamos a tornar.