6 de fevereiro de 2012

Quando te sentaste no lugar do meu lado no autocarro sem saber que era eu que já lá estava sentada eu tenho a certeza que os nossos mundos sorriram um para o outro por se encontrarem. E eu ri-me porque não encontrei outra forma de expressar as partidas da vida, da ironia a que por vezes somos expostos pelo destino. E tu acompanhaste-me no riso, e soltaste uma gargalhada ainda maior quando me ouviste falar pela primeira vez. Lembraste-te de quando a meio de uma noite de chuva correste até à porta do meu condomínio e chegaste todo molhado só para me dizeres para eu ficar. Apenas ficar, sem ir. E se te lembras, dessa vez eu soube como ficar. Soube como arranjar forças para combater numa guerra que não era minha, e continuar presente numa batalha que me deixou o coração desfeito. Mas eu fiquei, porque tinha força e sobretudo amor para ficar. Tu riste-te muitas vezes durante aquele percurso de 25 minutos que me soube a uma eternidade. Eu não te expressei por palavras mas eu vi o brilho que agora tinhas nos olhos por talvez reencontrares uma coisa que julgaste perdida. Mas eu agora digo-te, em voz baixa, porque é neste tom que eu tantas vezes me expressei para ti, que nada se perde. Nada, nem mesmo um amor que morreu nas nossas mãos. Um amor que sobreviveu a tantas facadas e ainda assim ansiava por mais, por ter gosto de viver, de renascer e de dizer: eu lutei. Porque no fundo foi isso que nós fizemos. Lutámos por algo que julgámos ser eterno. Insistimos e voltamos a insistir. E foi tantas vezes como bater numa porta e levar com ela na cara mas ainda assim voltar a tentar, foi insistir na mesma peça de puzzle tantas vezes mesmo sabendo que ela não cabia ali, foi magoar com as mesmas palavras mesmo sabendo que elas causavam dor. Nós fomos tudo isto- tentativas de encaixe que se foram desgastando com o tempo. Mas nós sim podemos dizer: nós lutámos, nós tentámos. Porque tentar por vezes também implica desistir, deixar tudo para trás e saber seguir.  Escolher um caminho desconhecido e descobri-lo sozinho. E foi isso que nós tivemos que fazer, era disto que precisávamos. E eu orgulho-me de ti por o teres conseguido fazer depois de tanto tempo. Orgulho-me por após tantas quedas teres erguido a cabeça e encontrado o tal brilho nos olhos no coração de alguém. E eu digo-te isto do fundo do coração, porque não tenho outra forma de o dizer, que estou feliz por ti porque também não tinha outra forma de estar. E bem tu lembraste-te de quando eu uma vez  te disse que estava pronta à tua espera, para voltar a construir o dominó, para levantar paredes que anteriormente foram destruídas por vozes consumidas de mágoas. Porque tu disseste-o quando eu estava prestes a sair dali: podemos voltar a construí-lo porque tu sabes que és a primeira e última peça do meu dominó. 

28 comentários:

  1. oh, tão bonito. é bom quando conseguimos seguir um caminho e deixar tudo para trás, desistir do nosso passado.

    ResponderEliminar
  2. desculpa mas tenho que partilhar no facebook o teu blog, é tão bonito *.* adoro tudo aquilo que escreves mesmo

    ResponderEliminar
  3. oh meu doce, tu é que mereces tudo, só o brilho destas tuas palavras dizem tudo, obrigada por tudo **

    ResponderEliminar
  4. podes-me dizer quem és anónimo? muito obrigado pelo o elogio,mas se fizeres isso só o faças quando me disseres sff:)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. sou a Vanessa, nao tenho blog por isso nao posso dar-te certezas de quem sou, mas nao e nada de mal :)

      Eliminar
  5. ainda bem que assim é, foi o melhor para ambos:)
    oh, muito obrigada!

    ResponderEliminar
  6. Está fantástico este post, adorei ! *

    ResponderEliminar
  7. ainda bem que sim querida Claire, vou seguir*

    ResponderEliminar
  8. que lindo! sei tão bem o que aqui escreveste, oh se sei.

    ResponderEliminar
  9. não haverá outro igual, mas de certo que este teu amor é tão bom ou melhor que esse.
    e também escolheste uma nuvem?

    ResponderEliminar
  10. é um amor muito mais saudável, eu vejo isso pelos teus lindos textos.
    também eu ... que forma tinha a tua nuvem?

    ResponderEliminar
  11. há que saber deixar para trás e tu conseguiste fazê-lo. ele também, embora mais tarde que tu. mas fê-lo e ainda bem!
    claro que pode (:

    ResponderEliminar
  12. hum ... o infinito. sempre adorei alcançá-lo, embora tudo não passe de desejos de alguém que ama.

    ResponderEliminar
  13. mas quanto mais alto sonhamos maior vai ser a nossa queda e oh, eu já caí forte e feio. machuquei-me demasiado.

    ResponderEliminar
  14. tens razão, doce claire, e afinal de contas o para sempre podemos ser nós a fazê-lo.

    ResponderEliminar
  15. Adoro o teu blog, já o sigo! :)
    Passa no meu, tenho uma proposta de part-time ideal!
    Não nos ocupa tempo nenhum, não temos obrigações, não temos de ter experiência de vendas, basta mostrar o catálogo (ele vende-se sozinho, basta mostrar...) e ainda temos descontos em todos os produtos ;)

    ResponderEliminar
  16. dei mais uma única oportunidade a isto, minha querida, agora dei-lhe a hipótese de voltar a reconquistar o meu coração, a minha alma. não sei se o fiz por ser fraca, mas foi o que o meu coração mandou. esperemos que ele o faça, até agora sem respostas, enfim... **

    ResponderEliminar
  17. soube que estás doente, beatriz. queria dar-te as melhoras :)

    ResponderEliminar
  18. bem, está qualquer coisa maravilhosa: e a frase final, deixou-me derretida. como não podia deixar de ser <3

    ResponderEliminar
  19. já perdi as esperanças de receber uma resposta dele, tudo tem um fim, e este foi o nosso, dói muito, mas vou ter que aprender a viver, sem ele.. **

    ResponderEliminar