20 de outubro de 2011


Vai demorar tanto tempo. Pensava eu e pensa toda a gente quando se trata de esquecer um grande amor. Esquecer. Bem, talvez não seja esta a palavra adequada, mas tu percebes-me espero. É por isso que hoje te deixo este recado aqui na tua porta, para que quando chegues a casa te possas sentar na mesa da tua cozinha e ler-me com atenção. Morares no último andar afinal tem a sua vantagem, pude deixar-te isto aqui sem medo ou receio que os teus vizinhos o possam encontrar, e eu que demorei meses a dizer-te que não sabia como aguentavas descer cerca de 100 escadas duas vezes todos os dias. A vida tem destes pequenos pormenores, e quando lhe perdes o fio à meada é difícil encontra-la. Vê lá tu o que se passou comigo. Perdi-me da vida. Perdi-me de ti. E tu quando me quiseste trazer de volta à realidade já eu não sabia o que sentia por ti. Não te sei explicar como isto aconteceu. Dizia eu que era impossível. Oh, mas impossível o quê? Nada na vida é impossível, já dizia o meu avô com tanta razão.  Não te sei explicar o momento exato que aconteceu. Nem a hora ou a parte do dia. Simplesmente não sei, nem tenho intenções de o saber. Houve por ai um dia qualquer que sai à rua, e dirigi-me ao café da esquina como fazíamos e como eu faço agora sozinha todas as manhãs, e senti-me livre de ti. O coração não me pesava, tão pouco a alma estava repleta de ti. Talvez tenha ocorrido este processo de transformação numa das tantas noites que me deitei e tentei convencer-me a mim mesma é amanhã que tudo vai mudar. Vê lá tu, convenci-me tanto disso que um dia mudou mesmo. Eu gostava de te explicar isto novo que tenho em mim, mas é difícil para mim explicar-te quando tu provavelmente não terás o gosto de saber nem tão pouco experimentar. É pena, porque acho que devias. É como se tivesses um pássaro dentro de ti e ele voasse por todo o lado sem qualquer destino ou preocupação. Não se prende a lado nenhum, nem agarra corações. E oh, isto é o nosso grande mal, não é? E olha, lá estou eu a dissipar-me do objetivo que tinha nestas palavras para ti. Creio que notas que estou diferente, e queres saber um segredo? Também tu o estás. Vi-te na semana passada a ires por o lixo à rua e pareceste-me mais solto de ti. Estás? Tu não me viste, mas eu estava dentro do carro a observar-te às escondidas. E senti que tinha que te escrever. Tenho uma coisa a perguntar-te. Sentes a minha falta, não sentes? É que eu todas as noites tenho a breve sensação de que me chamas em silêncio. É verdade não é? Oh, é que não devias.

12 comentários:

  1. dos melhores textos que já li aqui!

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  2. está tão bonito. e identifico-me bastante...

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  3. estarei querida bea. e que doce tudo isto aqui:)

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  4. há pois meu anjo :) estou MUITO bem!

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  5. uma enorme chapada sem mão, fenomenal

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  6. esquecer, que palavra tão fria. nunca se esquece, pois não ? :)
    aquela imagem foi um mimo que eu encontrei, também gostei tanto.

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  7. que lindo, adorei!
    ah e muitooo obrigada minha fofinha! *

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  8. es uma princesa nao és? confessa la

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