13 de março de 2013

há sempre tempo

A música toca tão alta nos meus ouvidos que quase me esqueço que alguém me pode chamar para se sentar ao meu lado, no autocarro. Estou colada à janela, a ver tudo o que se passa lá fora. E a pensar em tudo o que se passa aqui dentro. Dentro de mim. E por instantes observo a força do vento a bater nas árvores e mais à frente, apercebo-me que há um café que se chama Amor. Engraçado que passo por aqui todos os dias e nunca reparei em tal coisa. Às vezes estas coisas acontecem. Estamos tão concentrados em nós, nas nossas coisas, que não paramos para ver - e observar com olhos de ver - tudo o que se passa á nossa volta. E hoje estou a fazê-lo, com os meus olhos e com o meu coração que é já tão pequenino para estas coisas. E vejo sair um casal - ainda novo - do café, e reparo com um sorriso nos lábios que eles também estão a sorrir. Como se estivessem a sair do seu ninho de amor, tal não é a coincidência o café chamar-se mesmo Amor. Sorrio  perante os seus sorrisos e o seu beijo de despedida, após largarem as mãos um do outro. Foram poucos os segundos em que os vi, mas não faz mal, está tudo bem, às vezes basta destes pequenos segundos para me fazer sorrir e construir o meu dia. E com isto apercebo-me que não é apenas dentro de mim que o amor não morre. Também anda por ai, em casais como este que saiu do café. Anda por ai, em corações apaixonados e repletos de borboletas, tão tipicas da estação que ai vem. O mais difícil não é fazer nascer o amor, mas sim fazê-lo crescer de forma saudável. É isso que requer tempo, dedicação e sobretudo paciência. É isso o que destinge tantos e tantos casais de namorados que andam por ai. Nem todos têm tempo. Nem todos têm dedicação. Nem todos têm paciência. E quando não têm nada disto, então não têm amor. Simples. Mas é bom pensar que ainda há quem o tenha, e saiba cuidar tão bem dele. São coisas tão simples como estas que fazem sorrir os corações. São gestos tão ou mais pequenos que estes que fazem crescer o amor. Há quem o saiba fazer crescer. Há quem o ignore. E com isto, com o passeio pelo café Amor esta tarde, apercebo-me que há tempo para reparar nas mais pequenas coisas. Há sempre tempo, digam isto a quem vos disser que não o tem.  Há sempre tempo para tudo. Há sempre tempo para amar. Ou tempo para pensar em coisas tão bonitas, como o amor.  

9 comentários:

  1. a sério? gostava de te ver :))

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  2. um bom exemplo para nos mostrar que o "Amor" pode estar em qualquer sítio, até onde menos esperamos. e que por vezes até em pessoas que já tinham passado por nós tantas vezes, sem nunca termos reparado. viva-se de amor que o mundo é tudo. :)

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  3. há tanto amor dentro de ti, é sempre bonito pensar que ainda existem pessoas assim - pessoas que amam de coração cheio.

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  4. obrigada por mesmo eu estando apenas de alma neste meu cantinho continuares a vir aqui, a ler e a comentar. Penso que o que fez com que eu me afaste-se do blog foi a grande preocupação que eu tinha em responder a todos os comentários que na altura eram muitos, a preocupação de não perder nem um dos textos que vocês escreviam , a preocupação de ver quem de novo me seguia, e a preocupação de manter sempre o blog actualizado, mas para vocês do que para mim, como tal afastei-me do blog. E apenas venho cá de alma, apenas escrevo para mim, faço deste apenas o meu cantinho ! Acho sinceramente que tudo em mim acalmou e espero voltar a ser a seguidora que era, comentando e respondendo a tudo e a ler todos os vossos lindos textos

    Um beijo
    Tatiana

    (mas meu doce, agora que estou aqui, não vou voltar a partir, não, palavras como as tuas, com amor e carinho, palavras escritas de alma e coração fazem-me ficar aqui, está lindo, como sempre este teu texto, um beijo especial para ti )

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  5. E se não pensarmos no amor, que o vento nos leve a pensar nas pessoas o transmite e que nos fazem sentir tão pequenos em comparação com tamanho sentimento. Todo o tipo de amor é lindo.
    Parabéns pelo texto. Beijinhos**

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  6. As pessoas é que inventam desculpas e não crêem que haja tempo para tudo. Porque, como tu disseste e muito bem, "há sempre tempo".

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